Um dia destes ainda vou morrer com orgulho...
Andei desaparecido no fim-de-semana passado. Para aqueles que não sabiam e para os que sabiam, vou explicar cá o facto.
De 28 a 30 de Abril estive no Pavilhão Multiusos de Guimarães a participar no
Robótica2006 - Festival Nacional de Robótica, na prova de busca e salvamento júnior. A classificação... bem, a classificação não foi nada de especial, mas deixem-me explicar o que é a prova de busca e salvamento e qual foi o desempenho da equipa da Gonçalves Zarco, a
Zarcobot, na prova.
A prova consiste em desenvolver um robô completamente autómato capaz de seguir uma linha preta num fundo branco, de distinguir vítimas no percurso (pequenos homens de fita-cola verde ou prateada), e se desviar dos obstáculos. Infelizmente para a equipa, o tempo para trabalhar e desenvolver o robô não foi muito, por isso ele era apenas capaz de, sem erros, seguir a linha.
O festival começou em Matosinhos, diga-se, onde passei quase toda a sexta-feira a dar os últimos acertos na máquina. Rumamos a Guimarães já no final do dia, chegando mesmo à hora de jantar. Essa refeição acompanhou-nos durante todo o fim-de-semana: minto, às vezes a minúscula fêvera panada era substituida por um pedacinho de lombo. Mas o arroz, as batatas fritas e o pudim ou a mousse mantinham-se intactas.
A sexta-feira era apenas destinada a testes e foi para isso que a aproveitamos. Durante todo o resto da noite fizemos os testes na pista oficial e os respectivos ajustes.
No sábado, o dia que começou mal (chegamos a Guimarães cerca de duas horas após o início da prova) não acabou tão mal assim. Passamos a manhã quase toda às voltas no Porto à procura de um componente que se tinha estragado no dia anterior. Quando de volta ao berço da nação, tratamos de o pôr a funcionar, tarefa que se revelou impossível (o componente era um LDR -
light dependent resitor que permitia distinguir as vítimas). Outro dos problemas com que deparamos foi a absoluta ineficácia dos sensores infravermelhos que detectavam obstáculos. Assim, fomos para prova apenas com o sensor de pista em pleno funcionamento. Mas mesmo assim, a prestação não foi um desastre - o robô cumpriu a parte que era suposto cumprir. A pontuação da equipa na primeira manga da prova foi de 30 pontos. Nesse dia ficamos em 50º, sensivelmente a meio da tabela, nada mau. Por esse dia, demos o trabalho por encerrado. Aproveitamos o resto do dia, ou da noite melhor dizendo, para ficar a conhecer a zona histórica da cidade, melhor dizendo ainda, os bares da zona histórica. Serviu de descompressor.
No nosso último dia de participação no festival, Domingo, o que os pareceu uma ideia brilhante a princípio, acabou por se tornar num desastre. Durante a viagem até Guimarães, ocorreu-nos que talvez conseguissemos que o robo se desviasse dos obstáculos se usassemos um simples interruptor. Assim fizemos. Montamos e programamos a nossa ideia revolucionária assim que chegamos. Testamos enquanto podemos. Infelizmente a nossa equipa foi a primeira a ser chamada para a prova, o que não nos deu tempo para testar completamente. Partimos um pouco a medo para a prova e durante os breves momentos de testes a que tinhamos direito durante os 10 minutos de prova o bicho portou-se razoavelmente bem. Infelizmente, a partir do momento em que a prova começou a sério, o gajo ficou maluco. Mal embatia num objecto, dava voltas sem parar. Infelizmente nesta manga não pontuamos. Ficamos obviamente desiludidos, pois se o tempo não fosse tão escasso, tinhamos concerteza previsto todos os imprevistos que nos atingiram. A
Zarcobot dava assim por terminada a sua participação na competição. Acabamos por descer 16 lugares em relação à posição da primeira manga.
Durante o resto do dia proveitamos para conhecer a cidade. Visitamos a zona histórica, o castelo e todas as partes memoráveis da bela cidade. As minhas pernas tremiam como varas verdes ao subir as escadas estreitas do que restava do castelo de Guimarães, mas foi divertido. Voltamos à noite ao pavilhão para ver as restantes provas - condução autónoma e Futebol robótico.
No geral foi um experiência bastante positiva. O convívio com as outras equipas e com um ambiente de inovação e empreendorismo foi bastante enriquecedor.
Orgulho-me de ter participado nua coisa destas. Um dia destes ainda vou morrer de orgulho.